Sábado, 17 de Maio de 2008

Desmetaforizar-se-á.

Que importa a paisagem,
a Glória, a baía,
a linha do horizonte?

-O que eu vejo é o beco.

(Poema do Beco – Manuel Bandeira)


É um exibir-se para a solidão, essa história. Talvez ela entenda do que se trata. Esse gosto de água e sal, por que aparece? Agonia engasgada, e o acre sabor que insiste em visitar o canto que já foi doce.

Enxerga? É dispensável esse entregar de sorrisos vazios e abraços frouxos sem encaixe. Azul e verde, todos esparsos. Cores? Lirismo? Nesse beco não moram. Não se permite festa. Não tem espaço. Mora aqui o desassossego de alma. A vida escorre aos poucos, ninguém percebe. Se perdem os reflexos, inexistem sombras. É uma clausúra a sufocar angústias. Tá ouvindo a queda d’água? É aqui dentro.

Não tem lugar para espanto. Tudo é finito. Volátil. Agora, inefável. Gestos desesperados transformam-se em cenas, em meio a uma mutação de cortinas se fechando por todos os lados. Escuta esse toque de agora: silêncio. Sim, silêncio é ouvido no beco. Enquanto o teto espalha enfeites nos longes da noite, aqui eles despencam sem leveza. A última andorinha a voar avisou do frio que caminhava. Voou. Permaneci. E a desfolhação ao redor?

Miudez de sonhos. Fugir. Fugir-se. Renascer. Ser de novo. O novo. Possível encher-se de nada? É o que convém chamar de vazio. E pesa.

Acorda, mundo! Durmo. Minto. O beco, em preto e branco. Arranha-céu. Olhos cansados de tudo.

Implodir-se. Preservar o alicerce? Deixa aqui outro viés de ilusão.

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Viagens tão óbvias?

Não foi ontem que se escutou o decolar do avião no aeroporto ao lado. Não foi uma daquelas lições de despedida. Não foi. O avião partiu com um pedaço de coração, mas não desgrudou nada ali dentro. Não teve olhar o céu, não soube fazer o adeus. Ou talvez só quisesse enganar o coração deixando-o continuar a fantasiar presença.

Já era escuro. Nem estrelas apareceram naquela noite, em meio àquele verde que já dividiram. A ausência rompeu no instante, trouxe consigo aquela áurea de incompletude. Ele não estava ali. Não está. Partiu. E minha parte?

Amar a madrugada não ajudou a fazer dela uma festa. Chuviscou. Nem a natureza funciona direito em meio à clareza da distância. Nem o coração.

Nem é só pelo ombro que entendia os suspiros. Pela sensação de almas abraçadas, pela paz que vinha e ia embora de repente, pelo sorriso que se levava e se devolvia, pelas seriedades e palhaçadas. É mais pela noção do bem tratar. Do macio que era entregue ao chão, do conforto da voz. Perfis desenhados quando a tela do cinema iluminava os traços. Era a noção de presença. Suporte. Amizade.

- Cadê você que não está? – foi a pergunta lançada. E não veio resposta.

Tomar de lembranças pelas mãos. Se acontecer um aventurar na roda-gigante como daquela vez, e um balbuciar de nomes lá de cima, não vai haver sorriso bonito do chão, e espera. Então resta o recordar de quando o tempo escapava por entre os dedos enquanto as afinações fundiam-se em músicas únicas.

Lembrar. Um. A dois. Os dois. Só. Um conto deles. Uma ilustração do laço firme que não sabe mais desamarrar. Um sonho possível.

Uma vontade dividida com Tom e Vinicius: acabar com esse negócio de você viver sem mim. Vamos deixar desse negócio de você viver assim. Não quero mais esse negócio de você longe de mim. Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim.

Permanece a certeza de dividir um pouquinho de mundo entre eles.

O ombro. Abrir-se. Seus abraços.

Desembarque.

Domingo, 4 de Maio de 2008

Pra ver se cola

É que eles se encaixavam tão bem. Se você os conhecesse, diria que as almas foram moldadas juntas, e nesse dia fez um tempo bom.

- Onde você tanto guardava esse olhar de eu contemplo todos os teus gestos? Como você conseguia disfarçar enquanto eu sentia teus olhos em mim? Você não piscava e eu te surpreendia me observar com esse canto de olho inocentemente distraído. Por onde a gente andava antes de ouvir aquela flauta tocar? Por que teu espanto ao me notar chorosa durante o espetáculo? Você me amou nessa hora, naquelas horas. Por que as meias luzes faziam teu cheiro me procurar? E como você conseguia fazer com que teu abraço voltasse pra casa comigo? Como você me desenha em teu sorriso? Não entendo agora porque teus sinais não chegavam até mim, e olha, você foi o primeiro a dançar naquela chuva. Quem te pediu pra tomar minha solidão assim?

- Ah, veja bem, meu bem: não te prometi amor. E se teu gostar pousou em mim, foi por mera distração, bem sei. Teu olhar em mim era feito de todos os olhares que você amou um dia. Não te ofereci céu, eu só tinha um teto escuro. Não, não disfarço que minhas noites eram minhas apenas por tê-la comigo. E como era bom! Sim, era bom. Receber a noite através da tua singeleza era como se você me devolvesse minha parte, como se você me devolvesse a mim.

- Reconhece então porquê não desviei naquela curva? E você ensaiava o violão tão irritantemente concentrado. Me ouvia te ouvir. Você errava tão lindo, sem querer. E como era engraçado te notar irritado. Tão meu você era. Ah, como você me tinha. Me tinha sem saber. E quer saber? Não te explicaria o quanto era bom te ter em segredo.

- Não me assusta assim! Fico sem conseguir mirá-la. Lembra os nossos primeiros encontros, um tanto tímidos. Só falávamos de música. Acho que nossa vitrola tocava bonito, assim. Hoje sinto falta das tuas críticas ao meu lado, saiam imprensadas com as minhas. De vez em quando o som tava muito alto, aquelas flautas. Lembra? Aí os lábios se moviam, talvez pedindo um beijo que não tinha voz. Não teve vez. Talvez se você tivesse olhado pra mim ao invés de disfarçar teu olhar no meio daquele chuvisco que começou a cair antes de irmos para casa. Não lembro de tanto ter desejado permanecer dentro do carro.

- Você teve ciúmes.

- Você teve ciúmes.

Risadas.

Silêncio.

- E disso tudo o que ficou? Outro conto? Mais um desencontro?

- É a história das coisas que ficam daquelas que não ficaram.

- Agora não sobra nada. Confesso, sim, ainda tê-lo em mim quando a flauta toca no meu som, quando aquelas vozes cantam. Lembro da atenção especial fazendo do mundo uma insignificância, lembro também dos meus desenganos. Quase não dói, e continua a ser doce.

- Teu desenho também já não sei se ainda cola no meu. Sabe quando puxa de vez? Arde na hora, e depois não gruda mais.

- E a foto?

- Vou guardá-la, pra dançar com os nossos sonhos em par.


Cola o teu desenho no meu
Pra ver se cola
Cola o meu retrato no teu
E me namora
Comigo nessa dança
Um sonho de criança
E o meu coração colado ao teu
Pra ver se cola.

- Pra ver se cola

(Cantada por Los Hermanos)

P.S.: Texto originalmente publicado no Chá das Cinco.

Sábado, 26 de Abril de 2008

E hoje em dia

Como é que se diz eu te amo?

(Vamos fazer um Filme - Renato Russo)

Dizer. Falar. Balbuciar. Trancar. Gaguejar. Perder a voz. Não saber por onde. Acontece assim, quando existe.

Amar já foi serenata. Já foi enfrentar vigília dos pais. Já foi historinha de portão. Amar já foi enfrentar a família. Já foi esperar pela lua de mel para haver o primeiro toque. Amar já foi planejar fugas. Amar já foi lutar por ideal. Já foi morrer junto ao invés de viver separado. Amar já foi drama. Já foi ficção. Já foi livro, filme e música.

Amar não era dizer eu te amo e pronto. Não era eu te amo solto. Não era eu te amo que o vento levava. Não era de mentira. Não era fácil falar. Não era. Porque antes era sentido. Depois, as palavras voavam como brisa e acalentavam o coração.

Amar era sincero. Amor não era inventado. Não se explicava. Não se entendia. E nem se fazia questão.

Amar era. É.

É caminhar de mãos dadas em silêncio. É olhar estrelas. É deitar na grama. É sorrir, e sentir sorriso. É chorar, e sentir suporte. É ser feliz, e ser feliz. É amizade. É simetria. Sintonia. Sorvete numa só taça. Filme deitado no chão. Rir da piada sem graça, apenas por amar. É estar sozinho e imaginar como seria a reação do outro na mesma situação. Amar é usar de mimetismos de amor, que ninguém mais entende, e a ninguém mais importa.

É o amor vivendo de si mesmo.

Hoje em dia? Eu te amo significa quero ter você agora. Eu te amo hoje. Amanhã não te amo mais. Na próxima semana, posso te amar novamente. Hoje em dia se inventa. Se compra a idéia de ter um amor. A idéia. Aí o amor não chega. Desinventa. Criam-se outras idéias. Inventam-se novos “amores”.

Hoje em dia eu te amo é descartável. Sentimento é enlatado.

Hoje em dia? Eu te amo é quase bom dia.

O amor não.

E ainda sem explicação. Se não sabe do que se sente, como dizer?

Mas a certeza é fantasia ao coração sensível. Se foi dado. Se foi recebido. O amor é.

O amor é.

Dispensem as palavras. Elas têm mania de complicação.

P.S.: Texto originalmente postado no Chá das Cinco.
P.P.S.: É, a inspiração foi brincar de ser feliz e me deixou aqui, com o nariz pintado.

Domingo, 20 de Abril de 2008

Meu infinito nos olhos Teus

O mundo ao teu lado tem qualquer coisa de algodão doce. Sempre teve. Não lembro ao certo quando teu infinito azul fez parte de mim, mas lembro que o entardecer passou a ser celeste. O carinho e a atenção com os quais você sempre me vestiu, impregna tudo com uma áurea de amor. Aquele amor tão desmedido, que por vezes chega a ser palpável.

E nada encanta mais meus dias do que olhar teus cabelos de sol e ouro, como se os anjos fossem os responsáveis por enfeitá-los assim, tão lindos. E você me dedica esse olhar de maré, de maré mansa, e eu só sei pensar que ninguém mais tem tanta paz para me dar. É segurança tocar tuas mãos, é minha casa teu abraço.

Quando eu deito no teu colo e falo sobre as minhas coisas não tão importantes, você quase não pisca. Me ouve como música, e depois canta pra mim também. Teu canto de estrela. Porque isso me faz lembrar do tempo onde eu não entendia o mundo, e ninguém mais me explicava tão bem quanto você. E você me envolvia em teu céu, bordando flores em todos os redores, e me mostrando as mais puras belezas que você guardou pra mim.

Na época em que meus cachos eram dourados, em que eu levava anéis em cada dedo, onde cada foto era uma pose, você sorria linda dos meus gestos. Dos meus shows. E hoje, uma vez por ano, eu viro essa menina outra vez, mergulhando na peça que você encena pra mim, e sinto vontade de dormir outra vez nos teus braços, longe dos bichos papões e dessas coisas complicadas que os adultos teimam em criar. Ao lado teu, meu melhor lado escorrega em ternura. Mas é tudo tão natural, que eu não duvido nada que você carregue consigo um canto bom do meu coração, o qual só tenho acesso quando ele sente você completa em mim.

Você é tão minha. Minha vovó Alice. Meu pedaço de nuvem. Minha mãe, duas vezes. E eu divido esse posto de neta com outros corações lindos, mas adorando brincar de ser a primeira. A primeira que conheceu teu infinito. A primeira a te tomar como boneca. Tão engraçada você era me deixando bagunçar teus cabelos com meus brinquedos de menina. Tão menina você se fazia também! E vinha com meu suco cor de rosa, com a melhor salada de frutas do mundo, e um jeito de voar que eu não encontro em mais ninguém.

É que esses dias a saudade virou você. Alice, era o nome dela. E tão injusto não encontrar teu abraço. Tão injusto sair de casa e não ter teu castelo pra visitar, pra te olhar assistir novela desligada do mundo. E aí eu te liguei, tua gargalhada do outro lado, e minha vontade de dizer eu te amo. Soprei as palavras, salpiquei com beijos e amor em fábulas. Você sabe que sou boba, filha do meu pai, e as palavras saem mudas. Mas sei que você entende. Você sou eu. O nosso amor é o mesmo.

Já não me importa levar o coração em pedaços a cada vez que deixo você aí, cuidando das tuas coisas. Já não me importo em te entregar minhas lágrimas a cada fevereiro de despedida. Eu costuro tudo outra vez apenas com tua lembrança em mim, e fico torcendo daqui pra você costurar também, com essa tua máquina tão responsável por sustentar a nós.

Eu posso reclamar de você querer me engordar com tuas delícias, mal sabendo que daqui eu ia te querer na minha cozinha. Aí você aproveitava e esquentava esse meu frio, me contaria dos teus casos que viram meus contos, faria bolhas de sabão no meu quintal, e cuidava de mim. E eu nem ia reclamar de nada. Agora só reclamo tua falta.

Sendo você a flor que suaviza as cores em todas as telas que vejo, eu não deixo de regá-la nenhum dia. Cuido de você fazendo plumas das minhas mãos, e você se preserva tão bonita. Guarda todo o sentimento do mundo no meio da tua mágica, e eu só sei me perguntar se dá pra medir esse teu coração gigante.

Esse dourado que você reluz e esse azul do meu infinito que você leva em teus olhos, eu desenhei com brilho em todas as minhas partes. Na certeza de ser menina outra vez, conto os dias para encontrar tua essência e continuar a filmar nossa história de paraíso.

Amo do berço, em certeza de infinitude.
-A vovó Alice.

Sábado, 19 de Abril de 2008

Respostas.

Teresa Roberta, coisa fofa de Pernambuco, me indicou a participar de mais um meme legal. Ela sempre me indica memes legais! Rs. Então, eu tenho que fazer o seguinte: postar a capa de 5 discos ou CDs que marcaram a minha vida. E lá fui eu resgatar meu passado musical. Pulei a infância, tá? Porque senão seriam apenas cd’s de Sandy e Jr. (Psssiu, isso é SEGREDO!). Rs.

Aleatoriamente, eles, que me viraram do avesso com seus acordes:

Legião Urbana: Como é que se diz Eu Te Amo. Esse cd porque ele engloba um universo em meio a tantas coisas lindas que os meninos já fizeram, e é duplo e ao vivo! Minha adolescência legionária foi linda, sim senhor! E ainda é.

Los Hermanos: Ventura. Eles que eu acompanho desde Anna Júlia. Que eu escuto tudo, até Odair José, só porque é Amarante cantando. Rs. Falando sério, Los Hermanos modificou todas as minhas estruturas musicais, e de todos os cds que eles fizeram, Ventura continua sendo o melhor. O melhor cd de banda brasileira dos últimos tempos. E tenho dito!


Mamonas Assassinas: Mamonas Assassinas. Éeee, caras! Isso aí foi um tiquinho de infância, onde eu cantava as músicas totalmente inocente. Rs. Mas é que ouvir música dando risadas é bom demais. E o humor deles ameniza tudo. Eu adorava. E sinto saudades.

Zeca Baleiro: Por onde Andará Stephen Fry? Foi o primeiro cd de Zeca que ouvi. E devorei. E depois desse, nunca mais larguei as delícias que ele deságua.

Nando Reis: MTV ao vivo – Nando Reis e os Infernais. Porque eu sempre fui fã desse ruivo. E eu tava bem com raiva por ele ter saído dos Titãs. Aí eu comprei esse cd, o primeiro que ele lançou na fase pós-titãs, e ele cantou pra mim tantas coisas lindas, que a gente acabou fazendo as pazes. Rs. Acho que cada música canta um pedaço do meu ano de 2006.

E é isso. Falta muita gente aí, falta minha bossa, tropicália, mpb, o povo de fora. Mas tudo bem. Tuuudo bem!

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Continuando a cumprir minhas obrigações bloguísticas, a minha linda Manda Bia me indicou a fazer o seguinte: escolher um livro, que eu goste ou não, abri-lo na página 161, procurar a 5º frase completa da página e postar aqui no blog.

Bom, o livro que escolhi é dos preferidos, e estava mais acessível, pois sempre fico relendo algumas passagens. Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom. Na página 161, tem escrito assim em sua quinta frase:

Quando Breuer mencionou a pobreza do paciente e seu plano de recorrer aos leitos doados pela família para tratá-lo gratuitamente, Max ficou ainda mais preocupado.

Deixa eu só explicar? Essa parte aí é quando Dr. Breuer conversa com seu cunhado, Max. Ele havia se encontrado com Nietzsche naquela tarde, e isso o fascinara e perturbara bastante. Nietzsche havia desistido de continuar a “terapia”, e Breuer tentava encontrar uma forma de reverter tal decisão.

O resto, vocês devem ler. Porque esse livro é MUITO BOM! Prato cheio pra quem se esbalda em filosofia, psicanálise e literatura.

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E pra finalizar, tem esse quiz foi indicado a mim pela srta. Cris, do Dominus. Minha historiadora mineira favorita! E pela Cris, eu conto o que eu seria se eu não fosse eu. Rs.

Se eu fosse um mês seria: março.
Se eu fosse um dia da semana seria: quarta-feira.
Se eu fosse um número seria: 19.
Se eu fosse um planeta seria: Terra.
Se eu fosse uma direção seria: nordeste.
Se eu fosse um automóvel seria: definitivamente, um fusca.
Se eu fosse um líquido seria: suco de maracujá bem gelado.
Se eu fosse um pecado seria: preguiça.
Se eu fosse uma pedra seria: esmeralda.
Se eu fosse um metal seria: prata.
Se eu fosse uma árvore seria: aquela do antigo sítio de vovô Arthur.
Se eu fosse uma fruta seria: uva.
Se eu fosse uma flor seria: lírio.
Se eu fosse um clima seria: tropical.
Se eu fosse um instrumento musical seria: violão.
Se eu fosse um elemento seria: água.
Se eu fosse uma cor seria: azul.
Se eu fosse um animal seria um: pássaro.
Se eu fosse um som seria: bossa nova.
Se eu fosse uma canção seria: Andrea Doria.
Se eu fosse um perfume seria: os que trazem lembranças doces.
Se eu fosse um sentimento seria: amizade.
Se eu fosse um livro seria: García Márquez.
Se eu fosse uma comida seria: a macarronada de tia Lourdes.
Se eu fosse um lugar seria: Serra Grande – BA.
Se eu fosse um gosto seria: dos primeiros beijos.
Se eu fosse um cheiro seria: dos lençóis recém trocados na cama.
Se eu fosse uma palavra seria: essência.
Se eu fosse um verbo seria: sentir.
Se eu fosse um objeto seria: livro.
Se eu fosse uma peça de roupa seria: calça jeans.
Se eu fosse uma parte do corpo seria: olhos.
Se eu fosse uma expressão seria: um sorriso.
Se eu fosse um desenho animado seria: burrinho de Shrek.
Se eu fosse um filme seria: Amélie Poulain.
Se eu fosse uma forma seria: linha reta, sem fim nem começo.
Se eu fosse uma estação seria: verão.
Se eu fosse uma frase seria: Eu não vou mudar, não. Eu vou ficar são mesmo se for só. Não vou ceder. Deus vai dar aval sim, o mal vai ter fim. E no final, assim, calado, eu sei que vou ser coroado rei de mim.

Gente, difícil responder isso. Difícil e gostoso. Mas cá entre nós, ainda bem que eu sou eu. Ufa!

E bom, como todo mundo já fez essas coisas todas, e só faltava euzinha, não repassarei a ninguém.

P.S.: Tem texto meu rodando no Chá das Cinco. Apareçam!

Sábado, 12 de Abril de 2008

O céu no meu chão.

Assim, da janela, olhando a vida passar. Observando os gestos, as pessoas, as pedras na rua, tentando encontrar pedaços de sonhos, deixando cair brilho em conta gotas. Perto de si, o céu.

O sorriso que ninguém consegue ler. A tempestade presa em olhos castanhos. Mas tinha estrela também. Aquela estrela ali, quase ofuscando. A impressão que tenho é de que ela piscou pra mim. Você também viu? Por que só ela no meu céu?

Isso me devolve serenidade, esse saber que em todo céu mora uma estrela. De vez em quando ela resolve descer, é quando brota paixão. Te contei de quando conversei com uma? Caiu uma estrela na minha janela, e naquela noite, chovia. Meu coração havia deixado de iluminar também, alternava leves piscadelas. Então a estrela me contou que veio reacendê-lo. Não entendi muita coisa, sabe? Só que ela me tomou pela mão e me levou até sua nuvem. Tão bom voar. Tão bom luz. A nuvem era macia, e eu podia morar ali para sempre. De lá de cima, aqui embaixo parece nada. Mas uma coisa me chamou a atenção: estrelas. Não me chame de louca, mas havia estrelas aqui, aqui nesse chão, no meu, no teu.

Não foi preciso muito para que minha guia pelo céu explicasse tudo: vocês de lá, enxergam nosso brilho. Nós dormimos durante todo o dia esperando nosso tempo de fazer o céu mais enfeitado. Daqui de cima, nos surpreendemos a cada movimento que vocês dão. Me refiro aos movimentos em fantasia. Aqueles onde vocês parecem pisar em nuvens, como chama? Paixão? Isso, paixão. Todos esses pontos luminosos que você enxerga daqui, ao olhar pra baixo, são corações em par. Alguns brilham distantes, percebe? As cores identificam os pares. Nós, estrelas, temos também a mania de, ao notarmos as afinações entre essas melodias esparsas, lançar um brilho, um pó de encanto impregnado de pureza e angelitude. E assim sendo, vocês se tornam nossas estrelas. Os papéis se invertem, mas chão e céu se misturam.

Desci outra vez. Pousar em casa tinha um perfume doce. Ser o céu das estrelas é fazer da noite um sonho. Desejei que pulsasse em mim um luzir sereno e infinito. Ela me explicou o coração, mas eu já nem lembro de quase nada. Percebo quando ele pede asas. Quando sonha uma voz. Piso em nuvens, mas o vôo é incerto. É o mundo aborrecido, sem deixar molhar.

- Lembra quando teu amor choveu em mim?